sábado, 26 de Setembro de 2009

As plantas de interior: Da antiguidade aos nossos dias

As plantas existem há muitos milhões de anos, mas quando foi que começámos a querer colocá-las em vasos e trazê-las para dentro de casa? Quando surgiram de facto, as primeiras plantas de interior?
Existem evidências pictóricas de que os Chineses, cerca de 3000 a.C, colocavam plantas em contentores como forma de decoração dos seus terraços. No antigo Egipto, existem gravuras datadas do Império Médio (2050 a.C - 1652 a.C), onde se podem ver plantas de cultivo colocadas em vasos:

Plantas de interior:Jardim em El-Bersheh

Vinha e horta de legumes em EL-BERSHEH (note-se os vasos na parte de cima da gravura)


Os Jardins Suspensos de Babilónia, a confiar nas descrições dos historiadores Estrabão e Diodoro Sículo, seriam um monumental "vaso gigante". Consistiam de vários terraços construidos uns por cima dos outros, apoiados por enormes colunas e contendo cada um deles a quantidade de solo necessária para serem plantadas as árvores e espécies vegetais que lembravam à esposa preferida de Nabucodonosor a sua terra natal.

Plantas de interior:Jardins Suspensos da Babilónia

Jardins Suspensos da Babilónia - Gravura do século XVI


Embora este hábito de colocar as plantas em contentores seja pelos vistos muito antigo, trazer efectivamente as plantas para dentro de casa, é um hábito um pouco mais recente. Tem cerca de 2000 anos. Os primeiros registos escritos que comprovam a existência de plantas em vasos, no interior de casas Egípcias, datam de 300 a.C. Também na cidade romana de Pompeia, destruída em 79 d.C pela erupção do vulcão Vesúvio, foram encontradas provas arqueológicas em como os seus habitantes cultivavam plantas no interior das suas residências, em vasos de terracota.

Plantas de interior:Os Últimos Dias de Pompeia Karl Brullov, Os últimos dias de Pompeia(1830-33)

Nos Séc. XIX, as Plantas de Interior tornaram-se populares durante a época Vitoriana. Nessa altura, ter plantas de interior tornou-se um passatempo comum. Foi nessa altura que surgiram também algumas das espécies que ainda hoje cultivamos dentro de casa, o Feto-espada, a Aspidistra e o Jasmim. As primeiras plantas de interior modernas surgiram no fim dos anos 40, quando as casas começaram a ser mais robustas, isolando as plantas (quase todas de origem tropical) dos rigores do inverno. Nos anos 60 as plantas faziam já parte integrante do design de interiores e entre 1965 e 1975, começaram a surgir as primeiras plantas de escritório, fruto da maior atenção dispensada à qualidade dos locais de trabalho.

sexta-feira, 14 de Agosto de 2009

As 10 plantas de interior mais fáceis de cuidar

Já se sentiu tentado nos hipermercados a trazer para casa alguma daquelas plantas tão bonitas, com umas flores magnificas e uma folhagem invulgar? E aquela espécie mesmo rara que a florista lhe aconselhou? Até dá uns frutos vermelhos e roxos e as folhas têm umas pintas azuis e brancas que durante a noite brilham no escuro! OK, exagerei no exotismo da planta, mas a mensagem que quero passar é a seguinte: Algumas plantas de interior exigem cuidados especiais, condições de luz, temperatura, humidade do ar, etc., que simplesmente não conseguimos obter nos ambientes quentes e secos de nossas casas. E o ritmo das nossas vidas modernas também não permite que tenhamos o tempo necessário para dedicar a estas plantas mais delicadas. Assim, com esta ideia em mente, acabei por ter um rasgo de brilhantismo (e modéstia como vêem não me falta) e decidi dizer-vos então, quais são as 10 plantas que até mesmo a pessoa mais distraída, troca-tintas, workaholic, desastrada, ou simplesmente esquecida (como eu próprio), terá dificuldade em matar. Para não fazer muito suspense, vou também desde já expor qual a prática que poria fim à vida até mesmo destas 10 resistentes plantas de interior: Rega exagerada! É verdade, estas 10 espécies resistem a falta de rega, ar seco, grande intervalo de temperaturas, baixa luminosidade, mau solos e até (imagine-se) à falta de carinho que todos devemos ter com as nossas plantas (e olhem que é um factor muito importante, OK?) mas normalmente não aguentam ter a terra permanentemente encharcada ou os vasos esquecidos dentro da água da última rega. A razão é muito simples, as raízes apodrecem e as plantas morrem. Dito isto, e começando da menos resistente entre as resistentes para a mais resistente de todas, aqui ficam as 10 plantas de interior mais fáceis de cuidar:

10. Nephrolepis exaltata ou Feto-espada (Samambaia de Boston, no Brasil)

Plantas de interior: Nephrolepis exaltataA ideia generalizada sobre os fetos é que são plantas demasiado delicadas, que murcham ao mínimo sinal de desleixo. Embora esta regra seja verdadeira para várias espécies de fetos, não é o caso deste feto-espada. Aguenta períodos de seca, ar seco e solo pobre em nutrientes. Aguenta mesmo algumas horas de sol directo. Como acontece com todas as plantas, a sua beleza irá sofrer se a tratarem de forma negligente durante um longo período de tempo. As folhas da Nephrolepis irão ficar castanhas e a planta irá ficar com um aspecto "desorganizado", com bastante espaço entre as frondes. Ainda assim, caso queiram ter um feto que necessite de cuidados mínimos, esta é a opção certa. Como ter um feto-espada bonito? Fácil. Boa luz, sem sol, regar bem, deixando o solo secar ligeiramente entre regas e pulverizar com água uma ou duas vezes por dia. Adubar quinzenalmente com um fertilizante líquido. Mudar de terra todos os anos na primavera. E verão como ele vos recompensará esses cuidados!

9. Anthurium andreanum ou Antúrio

Plantas de interior: Anthurium andreanumOutra escolha que provavelmente poderá chocar alguns dos mais "entendidos" em plantas. Todos os livros vos dirão que os Antúrios precisam de cuidados especiais, normalmente só possíveis de alcançar em estufas. Não é o caso desta espécie. Aguentam muito bem sítios com baixa luminosidade, ar seco e períodos de seca relativamente longos. Neste aspecto são uma boa escolha para os mais esquecidos, uma vez que é fácil de ver quando precisam de água. Os caules dos quais as folhas rígidas pendem, tendem a ficar mais caídos. Depois de regarem, a planta reanima-se rapidamente e os caules assumem a sua posição vertical. Esta planta de interior vem com um bónus; produz flores lindíssimas durante quase todo o ano, isto se lhe proporcionarem as condições ideais, a saber: Luz média, longe do sol, rega abundante no tempo quente (atenção à regra principal de não deixar os vasos em água), fertilizar quinzenalmente, ambiente húmido, com pulverizações diárias de água. Dica: Pulverizem somente a folhagem pois caso pulverizem as flores estas durarão muito menos tempo.

Plantas de interior: Flor do antúrio Flor do Anthurium andreanum - Foto cedida para uso público pelo United States Botanic Garden

8. Tradescantia fluminensis
ou Erva-da-fortuna

Se na palavra "fácil" incluirmos a facilidade de propagação, então a Erva-da-fortuna ganha com grande vantagem. Qualquer estaca desta espécie enraíza facilmente em água em qualquer altura do ano, pelo que é fácil conseguirem ter vários vasos. Isto ir-vos-á permitir "experimentar" quais os melhores locais na vossa casa para estas plantas pouco exigentes. Tentem somente arranjar-lhes um sítio com boa luz e sem sol directo. De resto basta regarem bem, de forma a que a terra mantenha sempre alguma humidade. É uma excelente escolha para colocar em cestos pendentes. Vejam o meu post sobre a Tradescantia fluminensis aqui.

7. Plectranthus nummularius ou Plectranto

A facilidade de reprodução é a mesma da Tradescantia, e só coloquei esta espécie como mais
resistente pela sua capacidade de aguentar várias horas de sol sem grandes consequências para as suas folhas (as da Erva-da-fortuna ficam com as pontas castanhas). Não necessitam de temperatura especial, nem de humidade, nem de terra particularmente boa. A única coisa de que precisam mesmo é...muita água. Mas, assim que precisam de água, as suas folhas ficam completamente "moles". É pois bastante fácil para quem não é muito experiente saber quando é altura de voltar a regar. Não se admirem se nos dias quentes de verão esta planta "pedir" água todos os dias. Podem ler mais sobre esta espécie aqui.

6. Ficus benjamina
ou Fico

Se usarem este link poderão ler o meu post sobre esta espécie, nomeadamente para saberem
quais os cuidados a ter. É uma das plantas de interior que está "na moda" pela sua capacidade de resistir a ambientes com fumo ou com ar-condicionado. Ainda por cima não gosta muito de água, pelo que aguenta bem períodos longos de negligência. É pois merecedora deste sexto lugar na tabela.

5. Dracenas - Dracaena fragans e Dracaena marginata

Plantas de interior: Dracaena fragansDracaena fragans "Massangeana" - Foto sem direitos de autor retirada daqui

Outra planta da moda, considerada por alguns autores como a mais resistente de todas (principalmente a marginata).
Sobrevive com níveis de luz muito baixos e aguenta bem ar seco e períodos sem rega. Também a podem ver em vários vão de escada e escritórios. Como para todas as plantas, há uma diferença entre uma planta sobrevivente e uma planta feliz. Para ter uma Dracena feliz basta providenciar boa luz (sem sol), rega moderada, deixando secar a camada superficial antes de regar de novo e pulverização diária com água (uma ou duas vezes). Em breve farei um post dedicado somente a esta espécie, da qual tenho actualmente três exemplares: Duas Dracaena fragans e uma Dracaena marginata.

4. Monstera deliciosa
ou Costela-de-Adão

Plantas de interior: Monstera deliciosaMonstera deliciosa - Foto de Wayne Ray

Tem todas as caractéristicas de resistência das Dracenas, com a vantagem de não perder algumas das suas
folhas em ambientes extremamente secos ou por falta de rega. O maior inconveniente é mesmo o seu...tamanho. Precisam de espaço e vasos grandes. Também irei dedicar brevamente um post às Costelas-de-Adão.

3. Crassula ovata ou Planta-Jade

Esta suculenta é campeã em suportar longos períodos sem água e aguenta também a exposição directa ao sol, mesmo no pico do Verão. Também não me recordo de alguma vez ter visto uma Crássula com qualquer tipo de praga. Enfim, a planta ideal para pessoas distraídas e com casas solarengas. Para os cuidados ideais carreguem neste link.

2. Sanseveria trifasciata ou Língua-da-sogra

Já falei algumas vezes da Sansevieria trifasciata (aqui). É uma resistente em todos os aspectos e acho que nunca vi um exemplar que não estivesse...vivo. Sol abrasador, sombra intensa, falta de água, solo pobre e empedernido (e por vezes a falta dele), enfim... Se conseguirem matar uma Sansevieria talvez...não devam mesmo ter plantas!

1. Aspidistra elatior - Aspidistra

Os meus três últimos posts foram-lhe dedicados. É a campeã das campeãs e tem fama de ser quase imortal. Escuridão, sol, frio ou calor extremo, geada, seca, sal, acidez, enfim, é a Super-planta! Além disso é famosa, tem mística e aparece em livros e em canções, pelo que sem dúvida alguma merece este primeiro lugar.

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A maior Aspidistra do mundo - Plantas de interior quase indestrutíveis - Parte III

Nós em Portugal costumamos dizer que "não há nada como realmente" para indicar que nada substitui a verdadeira experiência. Assim sendo, e complementando o meu post de 3 de Agosto sobre a Aspidistra onde mencionei a Gracie Fields e a sua canção "The Biggest Aspidistra in the World", aqui fica o... bem, não é exactamente o "video" da Gracie Fields a cantar mas somente a sua voz acompanhada de uma foto. Ao que parece, em 1938 não havia telediscos (no Brasil, videoclipes) nem MTV. De qualquer forma vale a pena. Ora vejam (ouçam?):



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domingo, 9 de Agosto de 2009

Aspidistra elatior - Plantas de interior (quase) indestrutíveis - Parte II

Embora anseie secretamente que tenham gostado do meu post anterior sobre a Aspidistra elatior, e que tenham inclusivamente dado um pulinho até ao YouTube para ouvirem a Gracie Fields a cantar "The Biggest Aspidistra in the World", o facto é que não vos disse muito sobre a forma de cuidar desta magnífica planta de interior. É o que pretendo fazer agora.
Já sabem que a minha "fama" inusitada como apreciador de plantas, tem levado a um aumento considerável do número de vasos cá por casa. Já tive inclusivamente de "negociar" com a minha mulher algum espaço fora do meu escritório para colocar mais uns vasitos (não foi fácil), caso contrário já teria de ter recusado algumas ofertas. Ainda não ouvi a frase "As plantas ou eu, escolhe!", mas pouco falta...
E como recusar uma Aspidistra? Quem gosta de automóveis não ia recusar um "carocha" ("fusca" no Brasil) clássico ou um Morris Mini, certo? Da mesma forma, esta planta de interior é um clássico que não podemos deixar de ter nos nossos jardins dentro de casa.
Primeiro que tudo, como a Aspidistra que me ofereceram veio de um jardim, tive que lavar muito bem os rizomas, as raízes e as folhas, de forma a eliminar o risco de alguma praga ou doença vinda do exterior poder contaminar as minhas outras plantas.

Plantas de interior: Aspidistra elatiorProcesso de limpeza das raízes e remoção das partes velhas

Plantas de interior: Aspidistra elatiorRizoma e raíz com três folhas, depois da lavagem

Plantas de interior: Aspidistra elatior
Várias folhas já limpas

Depois da limpeza, vem a parte de preparar o vaso. Para a Aspidistra, podem usar terra normal, tipo "mistura universal", que se compra em qualquer horto ou hipermercado.

Plantas de interior: Aspidistra elatior
Pedras no fundo do vaso, para boa drenagem

Plantas de interior: Aspidistra elatiorColocação de camadas de terra húmida, até à altura ideal

Plantas de interior: Aspidistra elatiorColocação das folhas de Aspidistra, com uma cana no meio para suporte

Utilização de arame para Bonsai e mais canas para manter as folhas em posição vertical

Plantas de interior: Aspidistra elatiorFolhas já fixas. Pormenor dos elementos fixadores utilizados (canas e arame)

Plantas de interior: Aspidistra elatior
E...voilá!

Plantas de inetrior: Aspidistra elatior
Aspidistra elatior, no seu novo lar!

Não coloquem nunca as Aspidistras ao sol, preferem luz média, numa janela virada a Norte, por exemplo. Pese embora consigam resistir a cantos escuros, há uma diferença entre ter uma Aspidistra que sobrevive ou uma Aspidistra feliz. Não as reguem muito, somente o suficiente para humedecer a mistura de forma uniforme. Deixem secar pelo menos até metade da mistura antes de regarem de novo. Podem usar um fertilizante fraco, mensalmente, na época de crescimento. Usem um pano húmido para limpar o pó que por vezes se acumula nas folhas. Sigam estes cuidados simples e terão na Aspidistra uma planta de interior para muitos anos!

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segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Aspidistra elatior - Plantas de interior (quase) indestrutíveis

A minha vivência de alguns anos à volta das plantas de interior, fez-me de alguma forma querer passar a todos quantos me leiam, não só o conhecimento técnico "formal" que fui obtendo sobre as várias espécies, mas sobretudo o conhecimento que deriva da minha experiência pessoal. A parte das "crónicas e devaneios" no título do blog, surge da minha vontade de querer ir um pouco mais além das dicas de cultivo. Quero partilhar convosco os motivos pelos quais as plantas de interior fazem parte do meu imaginário e também factos curiosos (ou bizarros) sobre as mesmas, e que porventura não sejam muito fáceis de encontrar (pelo menos em português). Ter feito um blog sobre plantas de interior tem também tido o condão de despertar nas minhas amigas (os meus amigos acham que estou a gozar quando digo que gosto deste hobby das plantas) a vontade de me oferecerem...plantas. Foi por isso uma óptima sensação, uma grande alegria mesmo, quando há poucos dias me ofereceram várias folhas de Aspidistra (Aspidistra elatior), com muitas raízes, e em quantidade suficiente para as distribuir por dois vasos.

Plantas de interior: Aspidistra elatiorAspidistra elatior

A Aspidistra estará sempre associada aos tempos da minha infância, principalmente à casa da minha avó, onde vasos enormes de barro, pintados de vermelho, continham magníficos exemplares destas plantas de interior. Já no meu post anterior falei de modas, e a Aspidistra foi sem dúvida vítima da moda. Hoje em dia é praticamente impossível encontrá-la em qualquer horto, provavelmente caiu em desuso devido ao seu crescimento lento ou talvez devido ao seu aspecto "démodé" (eu acho-as lindíssimas). Quando passeio por Lisboa, ainda as vejo em vários vãos de escada e átrios escuros, onde só esta magnífica planta consegue sobreviver. É uma pena que a Aspidistra não seja devidamente apreciada nos dias que correm, uma vez que é considerada quase unanimemente como sendo a planta de interior mais resistente do mundo. Depois de ter sido introduzida em Inglaterra em 1822, tornou-se rapidamente a planta favorita da época vitoriana e quase todas as famílias de classe média tinham uma. Os lares da época vitoriana eram escuros e muito pouco ventilados, mas a Aspidistra conseguia (e consegue) resistir a tudo isso. O seu nome em inglês, Cast-iron plant, diz tudo. Uma planta de ferro fundido, praticamente indestrutível. A Aspidistra começou a sair de moda em Inglaterra depois da 1ª Guerra Mundial, mas ainda assim o seu canto do cisne foi em grande. Em 1936 o romancista inglês Eric Arthur Blair, sob o pseudónimo de George Orwell, escreveu o romance "Keep the Aspidistra Flying", maravilhosamente traduzido para português de Portugal como "O Vil Metal" (?) e para português do Brasil como "Mantenha o Sistema (?).

Plantas de interior: George OrwellEric Arthur Bain
(foto sem direitos de autor)


Onde foi parar a Aspidistra? Adiante. Ou seja, embora os portugueses (e brasileiros) tenham expulso a Aspidistra do título do romance de Orwell, ela está lá, e não resisto a transcrever uma passagem que ilustra bem a tão famosa indestrutibilidade desta planta de interior:


"...As Gordon threw away the match his eye fell upon the aspidistra in its grass-green pot. It was a peculiarly mangy specimen. It had only seven leaves and never seemed to put forth any new ones. Gordon had a sort of secret feud with the aspidistra. Many a time he had furtively attempted to kill it — starving it of water, grinding hot cigarette-ends against its stem, even mixing salt with its earth. But the beastly things are practically immortal. In almost any circumstances they can preserve a wilting, diseased existence. Gordon stood up and deliberately wiped his kerosiny fingers on the aspidistra leaves...."


Depois do simpático (!) Gordon ter falhado as suas tentativas de matar a Aspidistra, posso-vos dizer que no final do romance ele e a Aspidistra fazem as pazes...

Também a cantora, comediante e estrela de music hall inglesa, Gracie Fields, teve na canção cómica "The Biggest Aspidistra in the World" um dos seus grandes sucessos.


Plantas de interior: Gracie FieldsGracie Fields com a orquestra da RAF em 1939
(foto sem direitos de autor)


Pese embora possa "levar muita pancada", a Aspidistra reage muito melhor se for tratada com carinho. A sua durabilidade também é famosa, existindo relatos de Aspidistras que passaram de geração em geração na época vitoriana. Assim sendo, em breve farei um post mais "técnico" sobre a melhor forma de cuidar desta míticas plantas de interior. Até lá, fiquem com as primeiras palavras da engraçadíssima canção, "The Biggest Aspidistra in the World" (no YouTube conseguem ouvir a própria Gracie Fields a cantá-la):

For years we had an aspidistra in a flower pot
On the whatnot, near the 'atstand in the 'all
It didn't seem to grow 'til one day our brother Joe
Had a notion that he'd make it strong and tall
So he's crossed it with an acorn from an oak tree
And he's planted it against the garden wall
It shot up like a rocket, 'til it's nearly reached the sky
It's the biggest aspidistra in the world
We couldn't see the top of it, it got so bloomin' high

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sexta-feira, 31 de Julho de 2009

Ficus benjamina - Plantas de interior populares

Plantas de interior: Ficus benjaminaAs plantas de interior mais populares actualmente, não são as mesmas de há 30 ou 40 anos atrás. Dantes as pessoas tinham Aspidistras (Aspidistra elatior), Espargos (Asparagus setaceus), Clorófitos (Chlorophytum comosum) e Patas -de-cavalo (Farfugium japonicum) nas suas casas, varandas e vãos de escada. Hoje em dia, o que se vê mais são Dracenas (Dracaena fragans), Fícus (Ficus benjamina) e Chefleras (Scheflera arboricola). Mas o encanto das plantas é o mesmo.
Uma das plantas "modernas" que referi, a Ficus benjamina, é hoje omnipresente em quase todos os escritórios, principalmente devido à sua grande capacidade de resistir ao ar seco criado pelos aparelhos de ar condicionado e também às intrigas de escritório. Tenho actualmente duas Ficus benjamina, uma de folhas verdes e brancas (foto seguinte) e outra de folhas totalmente verdes (foto inicial).

Plantas de interior: Ficus benjamina StarlightFicus benjamina "Starlight"

Estas plantas de interior, no seu habitat natural, no Sudeste Asiático e na Austrália, são árvores que podem atingir os 30 metros de altura. Em casa, não as deixem crescer tanto, a não ser que morem numa vivenda ou no último andar de um prédio e precisem de um pára-raios natural.
Na experiência que tenho tido com esta planta, posso dizer que não é das mais fáceis. Mantê-las vivas não é difícil, mantê-las bonitas já é outra história (até parece que estou a falar de algumas ideologias políticas). Acima de tudo percebi que esta planta não gosta de mudanças. Adapta-se a uma determinada luminosidade, temperatura, etc., e se for mudada para outro sítio, as folhas inferiores começam a cair. Também não gosta de correntes de ar.
Há pois que tratar estas plantas de interior com a deferência que por exemplo um idoso sentado na sua poltrona favorita a ler o jornal (ou a navegar na web para os idosos que não querem ficar desactualizados), nos merece. Convém esclarecer as gerações mais novas que porventura me estejam a ler, que tratar com deferência não é pintar uns graffiti no idoso, ou já agora, nas plantas. Tinta e fotossíntese (ou reumático) não combinam lá muito bem.
Escolham um local com boa luz, mas que só apanhe sol de manhã ou ao fim da tarde. As Ficus benjamina não gostam de muita água, pelo que só as devem regar quando verificarem que pelo menos os três centímetros superiores da terra já estão secos. Se as regarem demasiado, adivinhem...sim, as folhas caem. Pese embora resistam muito bem ao ar seco, estas plantas gostam bastante de humidade, pelo que devem tentar pulverizá-las uma ou duas vezes por dia. Tê-las sobre um tabuleiro com seixos molhados também é uma boa ideia pois a água da rega, ao evaporar, irá providenciar humidade adicional à planta. Usem adubo líquido uma vez por mês. No Inverno não se fertilizam e precisam de ainda menos água.
As minhas Ficus benjamina nasceram de duas estacas que obtive aquando da poda das plantas de interior da minha firma, feita pelas meninas vestidas de verde que por lá andam a regar as plantas. Coloquei-as num copo com água (as estacas, não as meninas) e embora tenha demorado algum tempo, ganharam raiz. E também uma nova vida, junto de um tipo que para além de gostar delas, tira-lhes fotos e publica-as na Internet. Tornei-as famosas portanto. Presunção e Água Benta...

domingo, 26 de Julho de 2009

The Twilight Zone - Plantas de interior de outra dimensão

"You're traveling through another dimension, a dimension not only of sight and sound but of mind. A journey into a wondrous land whose boundaries are that of imagination. That's the signpost up ahead - your next stop, the Twilight Zone!"

Sim, foram estas palavras com a voz do Rod Serling que ecoaram no meu cérebro, quando ontem me ofereceram duas plantas saídas do reino da fantasia: Um arbusto prateado vindo das dunas da Tasmânia, o Calocephalus brownii e uma planta oriunda dos pântanos brasileiros de Santa Catarina, uma Syngonanthus chrysanthus 'Mikado', mais conhecida por planta Mikado. Confesso que tive dificuldade em acreditar que esta última era de verdade, pois parecia-me mais algo saído da mente de um designer avant-garde... Normalmente é-me fácil explicar qual a melhor forma de cuidar (ou não cuidar) de uma determinada planta, pois tal informação deriva não só do que vejo nos livros mas principalmente da minha experiência de cultivo pessoal de determinada espécie. Quanto a estas duas...nada a fazer. Aqui o factor experiência não existe pelo que tive de palmilhar a Internet à procura de informação (só as fotos são da minha autoria). Eis o que consegui reunir:

Calocephalus brownii

Pantas de interior:Calocephalus browniiEsta planta desenvolve-se como um arbusto.Tem folha perene mas costuma não durar mais de 2 a 3 anos.
Resiste ao frio mas gosta de temperaturas acima dos 15ºC.
Prefere exposição directa ao sol.
Gosta de solos leves, com muito areia e muito boa drenagem (caso contrário rapidamente definha e morre).
Prefere uma rega moderada e resiste muito bem a períodos de seca.
Resiste bem ao sal e ao vento forte (ou não fosse esta uma espécie de dunas costeiras).
A espécie foi descrita pela primeira vez pelo botânico Robert Brown em 1817.
Floresce de Setembro a Fevereiro.
Propaga-se por estaca.

Syngonanthus chrysanthus "Mikado"

Plantas de interior: Syngonanthus chrysanthus MikadoÉ uma planta de pântano.
Temperatura entre os 19ºC e os 22ºC.
Gosta de luz forte, mas indirecta. Suporta algum sol.
Gosta de solos leves (com turfa), ligeiramente ácidos e com boa drenagem. O solo tem no entanto tem de estar permanentemente húmido.
O requisito mais importante para a sua sobrevivência é a humidade do ar, a qual tem de ser muito elevada, na ordem dos 70%. Por esse motivo pode estar sujeita a ataques de fungos, se estiver demasiado húmida.
Foi descrita pela primeira vez por Wilhelm Otto Eugen Ruhland em 1903.
Reproduz-se por sementes apenas.

Caso alguns dos meus milhares (milhões?) de leitores tenha alguma vez tido uma destas belas plantas, gostaria imenso que partilhassem comigo a vossa experiência de cultivo. Pode ser?

terça-feira, 21 de Julho de 2009

Plantas de interior com pequenas grandes flores!

Quando me decidi a fazer este blog, achei que cada um dos meus posts teria de ter bastante informação e, se possível, útil. Hoje no entanto, vou fugir a essa regra e deixar as fotos falarem por mim.
Quando falamos das plantas-aranha, os Chlorophytum comosum, todos nós as associamos automaticamente à beleza da sua abundante folhagem, seja ela verde ou com padrões de verde e branco. Da flor dos Clorófitos, provavelmente apenas nos lembramos que é muito pequena e insignificante... Conforme poderão verificar nas fotos que se seguem (vale a pena aumentarem-nas), uma pequenina flor de não mais de um centímetro, consegue contradizer esta ideia. Ficamos também a saber que as flores já resolveram uma questão que ainda hoje perturba muitos homens: Será que o tamanho é importante? Para as flores, pelos vistos não. Quanto aos homens, lamento mas a resposta não está aqui. Afinal, este é um blog sobre plantas.

Plantas de interior:Chlorophytum comosum

Plantas de interior:Chlorophytum comosum
Plantas de interior:Chlorophytum comosum

domingo, 19 de Julho de 2009

Begonia foliosa - Plantas de interior das Américas

Plantas de interior: Begonia foliosa
Hoje irei vos falar da Begonia foliosa von Humboldt, Bonpland, and Kurth! Isto dito assim, até assusta certo? A intenção não é essa, porque de facto até gostaria que conseguissem ler este meu post até ao fim. Portanto, se ainda aí estão, passo a explicar o porquê deste nome tão comprido...A Begonia foliosa foi descoberta numa expedição "às Américas", tendo sido observada pela primeira vez na Colômbia pelo geógrafo alemão Alexander von Humboldt (gosto do primeiro nome) e pelo botânico Francês Aimée Bonpland. Ok, dizem vocês, mas então onde é que entra o tal de Khunt? O botânico Karl Sigismund Khunt, de quem já falei no meu post da Tradescantia fluminensis, na sua obra Nova genera et species plantarum quas in peregrinatione ad plagam aequinoctialem orbis novi collegerunt Bonpland et Humboldt, categorizou as plantas recolhidas no continente americano por Alexander von Humboldt e Aimé Bonpland. Esta obra tem somente sete volumes, pelo que vos aconselho como leitura de mesa-de-cabeceira. Para além disso, podem sempre fazer um concurso com amigos para ver quem consegue dizer o título completo da obra de um só fôlego (fiquem atentos à batota). A quem conseguir, ofereçam um exemplar de Begonia foliosa (de facto, ofereçam o que vos apetecer porque ninguém vai conseguir).Quanto à espécie em si, posso-vos dizer que é certamente uma das begónias mais fáceis de cuidar. O meu primeiro exemplar obtive-o através duma única estaca que retirei de um jardim em Corroios (com autorização da proprietária...) e hoje ainda tenho o vaso original, um segundo vaso e já ofereci várias estacas a amigos. Caso façam uma pesquisa sobre a melhor forma de cuidar desta begónia, irão seguramente descobrir que a maioria dos artigos aconselha sombra para esta espécie. Pela minha experiência de alguns anos com a Begonia foliosa, posso dizer que... não concordo. Ofereço a esta planta de interior algumas horas de sol diário e a mesma reage magnificamente. Quando a coloco à sombra, o seu desenvolvimento practicamente estagna. Tenham no entanto algum cuidado na rega. Não reguem de tal forma que a terra fique ensopada, mas tentem manter a mesma sempre húmida, regando moderamente mas amiúde. Se por acaso a esquecerem de regar, a planta é muito resistente e não morre mas irão verificar que algumas das pequenas folhinhas (é a begónia com folhas mais pequenas) ficam "moles" e acabam por cair. Mas não se preocupem, quando a rega volta ao normal, a planta recupera num instante. Acrescentem um pouco de turfa à terra normal, para que esta fique um pouco mais "leve". Uma boa quantidade de "cacos" ou argila expandida no fundo do vaso é essencial, pois para a terra estar sempre húmida sem encharcar, terá mesmo de ter uma boa drenagem.Como quase todas as begónias, tentem colocá-las numa atmosfera húmida, mas convém não pulverizar as folhas.

quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Coleus blumei - Plantas de interior para alucinar

Plantas de interior: Kim Jong-IlPara afastar a nossa mente dos problemas do dia-a-dia, nada como mergulhar nos desvelos que trocamos (sim, elas retribuem) com as nossas plantas de interior. Existem no entanto algumas notícias cujo teor nos leva a querer tomar medidas mais drásticas. Estou-me a lembrar por exemplo da Coreia do Norte, mais exactamente do seu líder Kim Jong-Il e da sua obsessiva mania de estar sempre a celebrar qualquer coisa mandando foguetes, ou da recente vontade do presidente Barack Obama em agradar a fundamentalistas islâmicos e a clones hondurenhos de Hugo Chávez, ou simplesmente o tempo de antena dado à Ana Gomes para que ela fale pela 1.362.723ª vez dos voos da CIA... É nessas alturas que me apetecia ter à mão um exemplar de Salvia divinorum, para fazer um cházinho, beber e partir numa bela viagem, para outras esferas...
Os índios Mazatecas gostam de chamar à Salvia divinorum, "La hembra" (a fêmea) e ao Coleus pumila, "El macho", este último um nome com o qual me identifico particularmente. Já aos cóleos que vulgarmente cultivamos nas nossas casas Plantas de interior: Coleus blumei(Coleus blumei), os índios chamam-nos de "El niño" e "El ahijado" (afilhado). Isto porque os Mazatecas crêem que os banais cóleos proporcionam também eles viagens alucinatórias. Por este motivo, quando há uns dias atrás me ofereceram duas estacas de Coleus blumei (na foto acima, as duas estacas já colocadas num vaso), pensei que sendo esta espécie o filho ou afilhado dos papás alucinatórios, talvez proporcionasse uma viagenzita aceitável, não em primeira classe mas em classe turística, vá. Cedo me desiludi... Não só descobri (porque LI na Internet) que os índios Mazatecas estão enganados quanto aos supostos efeitos "tripantes" dos Coleus blumei
(derivam quando muito de um efeito placebo), mas também que esta planta é TÓXICA! Assim sendo, desaconselho o tal cházinho. A não ser, claro está, que queiram ir parar ao nosso SNS, ele próprio uma variante do LSD. Em breve, um post menos "alucinado" sobre a forma de cuidar destas belas plantas. Até lá, apaguem a televisão e vejam se não terão aí por casa uma plantinha cuja terra precise de ser mudada.